Hospital Regional Costa do Cacau alcança 95,07% de aprovação com mais de 460 cirurgias em março


Com um índice de aprovação de 95,07% entre os pacientes, o Hospital Regional Costa do Cacau (HRCC), unidade do Governo do Estado da Bahia, se destaca como referência em atendimento de média e alta complexidade na região sul do estado. Administrado pela Fundação Fabamed, o hospital encerrou o mês de março de 2025 com a realização de 467 procedimentos cirúrgicos, dos quais 203 foram de urgência, evidenciando a importância da unidade no acolhimento de casos críticos.

Entre os destaques do período, a ortopedia liderou o volume de cirurgias com 134 procedimentos realizados, seguida pela cirurgia geral (193) e pela neurocirurgia (16). As especialidades cardíaca (13 casos) e vascular (56) também se sobressaíram, refletindo a diversidade de serviços ofertados pela unidade, que conta com equipe médica especializada e infraestrutura moderna.

Para o diretor geral do hospital, Júlio Musse, os números são reflexo do compromisso da equipe e dos investimentos contínuos realizados pelo Governo da Bahia. “Nosso objetivo é garantir um atendimento resolutivo e humanizado. Os dados de março mostram que estamos no caminho certo, com uma assistência qualificada, que gera confiança e satisfação na população”, afirma.

O alto índice de aprovação dos pacientes reforça a credibilidade conquistada pela unidade ao longo dos anos. “Trabalhamos com foco na qualidade. Esse retorno positivo nos estimula a seguir aprimorando processos, investindo em capacitação e fortalecendo a estrutura hospitalar”, completa Musse.

Desde sua inauguração, o Hospital Regional Costa do Cacau tem desempenhado papel estratégico na descentralização da saúde, evitando que muitos pacientes precisem se deslocar para a capital em busca de atendimento especializado. A gestão da Fundação Fabamed tem sido fundamental nesse processo, com foco na eficiência, acolhimento e segurança do paciente.

Quaest: Lula tem empate técnico com Bolsonaro e vence 7 nomes da direita


Em um eventual segundo turno na disputa presidencial de 2026, o presidente Lula (PT) aparece tecnicamente empatado com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível, aponta pesquisa Quaest contratada pela Genial Investimentos divulgada hoje. O levantamento também mostra que o petista venceria outros sete candidatos da direita testados em cenários de segundo turno.

Cenário com Bolsonaro (segundo turno hipotético)

Lula (PT) 44%
Bolsonaro (PL) 42%
Brancos/nulos 8%
Indecisos 6%
A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro (±2,2 p.p.), configurando um empate técnico. Bolsonaro, atualmente inelegível devido a condenações judiciais, ainda mantém uma base sólida, mas com alta rejeição (48%).

Cenário sem Bolsonaro (primeiro turno ampliado)

Se o ex-presidente não puder disputar, a corrida eleitoral se abre para outros nomes:
Lula (PT) 36%
Tarcísio de Freitas (Republicanos) 18%
Ciro Gomes (PDT) 12%
Simone Tebet (MDB) 8%
André Janones (Avante) 4%
Outros 7%
Brancos/nulos 10%
Indecisos 5%

Rejeições e desgaste político

    • Lula: 42% (não votariam de jeito nenhum)
    • Bolsonaro: 48%
    • Ciro Gomes: 35%
    • Tarcísio: 28%
    • Tebet: 25%

Metodologia

A pesquisa foi realizada entre 29 de março e 2 de abril, com 2.000 entrevistas em todo o Brasil. A margem de erro é de 2,2 p.p., e o nível de confiança é de 95%. Fontes: Quaest Pesquisas e UOL Notícias Leia também: Reportagem completa no UOL

Morre Wanda Chase, ícone do jornalismo baiano


A jornalista Wanda Chase faleceu na madrugada, aos 74 anos, em Salvador. Foto redes sociais.

 

A jornalista Wanda Chase morreu na quarta-feira (2) durante uma cirurgia de aneurisma da aorta no Hospital Tereza de Lisieux, em Salvador. Com 27 anos de carreira na TV Bahia, ela era reconhecida como comunicadora e ativista do movimento negro.

Natural do Amazonas, Wanda mudou-se para a Bahia em 1991. O sepultamento será no sábado (5), no Cemitério Campo Santo.

Ela havia relatado problemas de saúde há um mês, inicialmente tratados como infecção urinária e intestinal. Na quarta, foi diagnosticada com aneurisma dissecante da aorta e submetida a cirurgia, falecendo cerca de seis horas depois.

Com passagem por Rede Manchete, TV Cabo Branco e Globo Nordeste, Wanda também foi assessora do Olodum. Após aposentadoria, atuou como colunista no iBahia e em podcasts.

Vencedora de 45 prêmios, ela destacou a cultura negra baiana. Em 2002, recebeu o título de Cidadã Soteropolitana. Em março, a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) adiou a entrega do Título de Cidadã Baiana devido ao seu estado de saúde.

PF e CGU desarticulam organização criminosa responsável por desvios milionários


3ª Fase da Operação Overclean cumpre mandados na Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Sergipe.

A Polícia Federal, em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União, deflagrou, nesta quinta-feira (3/4), a terceira fase da Operação Overclean, com o objetivo de desarticular organização criminosa suspeita de atuar em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro.

Foram cumpridos, nas cidades de Salvador/BA, São Paulo/SP, Belo Horizonte/MG e Aracaju/SE, 16 mandados de busca e apreensão e uma ordem de afastamento cautelar de um servidor público de suas funções, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal.

Estima-se que a organização tenha movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão por meio desses contratos fraudulentos e obras superfaturadas.

Os crimes apurados incluem corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça.

MP/BA cede à pressão e suspende projeto de construção na Av. Soares Lopes


José Nazal ao lado do procurador Pedro Maia, promotora Alicia Passeggi, e Socorro Mendonça. 

O Ministério Público do Estado da Bahia (MP/BA) decidiu suspender a construção de sua nova sede em uma área verde da Avenida Soares Lopes, em Ilhéus. A informação foi confirmada pelo procurador-geral de Justiça, Pedro Maia Souza Marques, ao ex-vice – prefeito José Nazal durante o evento de instalação do Ministério Público Itinerante, realizado na UNEX, em Itabuna, na noite desta quarta-feira (2).

‘Em reunião no final desta tarde com promotores de Ilhéus, o procurador-geral definiu pela busca de um novo local para a sede”, explicitou.

A decisão ocorre após forte mobilização popular contra a obra, que gerou críticas de moradores, autoridades e entidades da sociedade civil organizada. A polêmica começou após a instalação de uma placa indicando a construção da Promotoria Regional no local.

O tema será debatido no programa *Super Blogs*, que vai ao ar nesta quinta-feira (3), a partir das 19h, no YouTube. Entre os convidados estão José Nazal e o vereador Maurício Galvão.

Prefeito Augusto Castro visita Avatim que anuncia Centro de Distribuição em Itabuna


A Avatim, empresa brasileira de cosméticos e perfumaria, anunciou a implantação de um Centro de Distribuição (CD) na área do Distrito Industrial de Itabuna, na zona oeste da cidade, nas proximidades do Parque de Exposições Antônio Setenta. Na tarde de terça-feira, dia 1º, o prefeito Augusto Castro (PSD) foi recebido pelo sócio-fundador da Avatim César Fávero, na unidade industrial em Ilhéus, no Km 17,5 da rodovia BR-415 – Jorge Amado.

O Chefe do Executivo itabunense visitou áreas da planta fabril da empresa de cosméticos e perfumaria, onde são gerados 500 empregos diretamente. “Itabuna vai receber a oportunidade de geração de empregos. Quero parabenizar, César, primeiro a sua coragem de empreender nesse produto que tem uma marca nacional e também está fora do Brasil. Recebemos de braços abertos a geração de 120 empregos diretos”, disse Augusto Castro.

Atualmente, a Avatim conta com mais de 300 franquias e lojas próprias no Brasil, Portugal e Espanha, e está em pleno processo de expansão na América Central, onde o México recebe franquias em formato de quiosques. A aposta audaciosa também incluiu a adesão aos shoppings virtuais (marketplaces) do Mercado Livre, Amazon e Magazine Luiza (Magalu). Segundo fontes do mercado, nos últimos três anos a empresa praticamente dobrou seu tamanho e abriu novos mercados para sua linha de cosméticos e perfumaria.

Na visita, o prefeito Augusto Castro esteve acompanhado do secretário municipal de Indústria, Comércio, Emprego e Renda (SICER), Mauro Ribeiro, e de técnicos. Além do diálogo com o sócio-fundador da marca, César Fávero, ele também conversou pela rede digital com a sócia Mônica Burgos, a quem também parabenizou pela implantação do CD.

“Muito obrigado pelo espaço e oportunidade. Tenho certeza de que Itabuna vai ganhar muito com o nosso Centro de Distribuição e que poderemos fazer outros grandes empreendimentos com a marca Avatim”, comentou o empresário César Fávero.

Augusto disse que nesta gestão estão sendo prospectados novos negócios, um exemplo de fábricas e CDs para a geração de mais empregos na cidade. Por último, o prefeito lembrou que Itabuna é num importante e exigido entroncamento rodoviário no Sul da Bahia com ligação entre as regiões Sul e Sudeste e Centro-Oeste do país com as rodovias federais BRs 101 e 415 .

Bebeto Galvão critica construção de nova sede do MP em Ilhéus e cobra revisão do Plano Diretor


Bebeto classifica medida como absurda. Fotomontagem Blog Agravo. 

O suplente de senador e ex-deputado federal Bebeto Galvão (PSB) manifestou forte descontentamento à decisão do Ministério Público da Bahia (MPBA) de construir a nova sede da Promotoria Regional de Justiça na Avenida Soares Lopes, em Ilhéus, área considerada estratégica para o turismo e lazer da população. Ele classificou a medida como “absurda” e desalinhada com os interesses urbanísticos da cidade, requerendo a imediata suspensão do processo de implantação do projeto, já que avançou sem o devido debate com a sociedade civil.

Bebeto frisou que a Avenida Soares Lopes é um espaço tradicionalmente voltado para atividades culturais, esportivas e de convivência, e a instalação do MP nesta área contraria a função social do território, abrindo precedente para outras ocupações indevidas. “Se o Ministério Público pode construir ali, por que a população não poderia fazer o mesmo? É um risco de desordenamento urbano e um desrespeito à história da cidade”, questionou.

O ex-deputado ressaltou que o MP, como “guardião da lei”, deveria buscar locais menos privilegiados para suas sedes, aproximando-se da população que representa. Bebeto apontou a ausência de um Plano Diretor atualizado como agravante do problema.

O documento, que deveria ter sido revisado em 2016, está defasado há quase uma década, deixando Ilhéus vulnerável a decisões discricionárias do poder público. “A cidade padece sem um planejamento claro”, criticou.

O suplente cobrou da Prefeitura e das instituições locais a retomada urgente dos debates sobre o novo Plano Diretor, a fim de evitar que situações semelhantes se repitam. “Precisamos definir o destino da Soares Lopes e de outras áreas da cidade, com intensa participação popular”. Segundo ele, a promotoria deveria se dedicar a questões mais urgentes, em vez de investir em um projeto que desconsidera a vocação local.

Em nota, o MP informou que não há qualquer ilegalidade ou irregularidade na construção do novo prédio, assegurando que a demarcação foi devidamente autorizada pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU). No entanto, Bebeto Galvão rebateu o argumento: “Isso não dá à União o direito de decidir sozinha sobre o destino de um espaço que é parte vital do planejamento urbano de Ilhéus. Pode até ser legal, mas é imoral”.

O QUE FAZER COM A ORLA DA AVENIDA SOARES LOPES?


Por José Nazal

Imagem 1. Vista parcial da orla da Avenida Soares Lopes. Fonte: José Nazal (2020).

O dia de ontem, 1º de abril, consagrado e conhecido como o “Dia da Trola”, da “Pegadinha”, da “Lorota”, enfim, o “Dia da Mentira já faz parte do folclore nacional. Não se trata da mentira ofensiva, caluniosa, a que maltrata, e sim, como dizia o saudoso Mestre Suassuna, da mentira lírica, mentira com arte que deve ser cultivada.

No amanhecer de ontem, foi divulgada uma notícia que parecia ser um 1º de abril. Eu desejei que fosse, mas não era. Uma placa colocada, possivelmente no final do dia anterior, dava conta de que a Promotoria de Justiça Regional de Ilhéus pretende construir sua sede num trecho da orla acrescida na Avenida Soares Lopes, onde se pretendeu em 2021 construir o novo prédio do Fórum do Tribunal de Justiça da Bahia, cuja doação foi autorizada pela Lei nº 4.126, de 17/09/2021, e que a ementa anunciava: “Autoriza a doação dos Direitos Reais de Uso de Imóvel Público ao Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, em área de domínio do município”. Aqui faço o primeiro questionamento: é de domínio do município o trecho que era alcançado pelo Oceano Atlântico, onde eu e muitas outras pessoas que estão na faixa de 70 anos tomávamos banho de mar? Aos que não creem que o mar “lambia” a avenida, pesquisem fotos que comprovam e analisem se é verdade.

Depois da notícia espalhada rapidamente pelas redes sociais, o bombardeio foi forte e, em absoluta maioria, as opiniões foram contra a proposta. Dentre as que tive acesso, uma especialmente me chamou atenção: no perfil do Instagram da Revista Folha da Praia (@folhadapraiaoficial) está anotado que, ao ser provocado pelo veículo de comunicação, o Ministério Publico do Estado da Bahia (MPBA) respondeu que “[…] não há nenhuma ilegalidade ou irregularidade na futura sede da Promotoria Regional de Ilhéus” e que “[…] o terreno destinado à construção da nova sede pertence à União, e sua demarcação foi devidamente autorizada pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU) no último dia 20 de março. A autorização aconteceu após um processo de consulta iniciado em 2024 […]”. “Além disso o MPBA afirmou que todos os requisitos ambientais e urbanísticos serão atendidos durante a construção do novo edifício”.

Na minha opinião (que só vale para mim), o problema está resolvido: não será construído o novo edifício. Ora, se o MPBA afirma que respeitará a legislação urbanística e ambiental – e acredito realmente que esse respeito ocorrerá –, a equipe de arquitetura e engenharia do Parquet não terá como se basear na elaboração do projeto.

Explico o fundamento da minha opinião: a área pretendida é indicada como Zona de Especial Interesse Ambiental (ZEIA) pelo Plano Diretor Municipal vigente, pela Lei 3265/06 (vide Imagem 2), e em razão disso ficou fora do zoneamento urbano definido pela Lei de Uso e Ocupação do Solo, pela Lei 3746/15, com alterações subsequentes (vide Imagem 3).

Imagem 2. Fonte: PMI(2023)-Lei 3265/06.

 

Imagem 3. Fonte: PMI(2023)-Lei 3746/15

Resumindo, além de ser área ambiental, para o trecho não há parâmetros urbanísticos, como: permissões de uso; altura do prédio, recuos laterais, frontais e de fundos; coeficiente de ocupação; taxa de ocupação etc. As duas zonas vizinhas ao trecho são as ZC-23 e ZC25.

Face à minha opinião, afirmo aqui que continuo acreditando nos Ministérios Públicos e desejo continuar crendo e esperando. Na placa colocada pelo MPBA na avenida há uma legenda da qual gostei: “Guardião da Cidadania” (vide Imagem 4). Penso que assim deve ser e por isso creio que haverá uma reflexão entre os que verdadeiramente guardam nossa cidadania, de modo que percebam o erro histórico e ambiental que será cometido, caso a obra seja realizada.

Imagem 4. Foto da placa. Fonte: José Nazal (2025).

Proponho ainda uma questão: considerando o relevante e indispensável papel do MPBA, que por iniciativa própria ou por acionamento do(s) cidadão(s) deve agir na defesa dos direitos constitucionais e legais previstos, que deve atuar na defesa do patrimônio público, que deve observar e fiscalizar nosso cumprimento legal da probidade administrativa do Poder Público, que mensagem essa intervenção pode deixar à nossa sociedade? Rogando todas as vênias, com todo o meu respeito, é o que reflito.

Nosso chão completará daqui a nove anos, 500 anos da fundação da Capitania e, daqui a seis anos, 150 anos de Cidadania, de elevação à cidade. O que as cidadãs e cidadãos de nossa cidade pensam sobre isso? Que lugar queremos nos 500 Anos?

Ilhéus é uma cidade ímpar. Temos o privilégio de contar com a elaboração de cinco Planos Diretores Urbanos, o primeiro em 1933 e o segundo em 1938, ambos iniciativas do então prefeito Eusínio Lavigne. Infelizmente, pouco observados. O terceiro, de 1969, foi financiado pelo SERPHAU/BNH, contratado pelo prefeito Nerival de Souza Barros. O quarto é de 1979, na primeira gestão de Antônio Olímpio. O quinto e ainda vigente é de 2006, que aprovado em lei, foi sancionada pelo então prefeito Valderico Reis. Desde 2022, esse documento vem sendo revisado.

A revisão do Plano Diretor trará, se aprovado pela população e pelos legisladores, a confirmação do interesse ambiental da orla, cuja previsão também está anotada no Projeto Orla, elaborado e aprovado à época da gestão do então prefeito Valderico Reis. Portanto, em sã consciência, quem pode aceitar uma alteração desse porte, tendo um Plano Diretor vigente que a impede e que ainda está sendo avaliado?

Além do acima exposto, a área em questão já tem uma concessão de uso feita à Companhia Docas do Estado da Bahia, para ampliação da área on shore do porto (Imagem 5). Assim como essa área pretendida, encontra-se dentro da Linha de Preamar Média (LPM) definida pelo Decreto-Lei nº 9.760, de 1946 (Imagem 6).

Imagem 5. Fonte: PMI(2023).

 

Imagem 6. Fonte: PMI(2023); MPO/SPU.

Há mais de uma década defendo a escolha para um local onde possa ser construído o Centro Administrativo do Município, a ser planejado para que seja edificado em tempos políticos de estado e não de governo. Nesse Centro Administrativo poderiam estar os órgãos públicos dos três poderes. Sendo assim, a polêmica da construção do novo Fórum não teria ocorrido.

Afinal, o que queremos para a orla? O que queremos para a cidade? Há informações circulando de que a Polícia Federal está requerendo ou já requereu também um espaço para construção de nova sede; também seria na orla da Avenida? Teremos uma área com um complexo turístico, gastronômico, esportivo e de lazer bem planejada ou teremos “puxadinhos”? Já deixamos de ter em nossa orla um parque com a assinatura de um dos mais renomados paisagistas brasileiros, Roberto Burle Marx.

Ilhéus precisa de gente que pense, mas que pense de forma coletiva, pois há 491 anos vivemos de puxadinhos, maltratando nosso chão todos os dias. Ilhéus é forte, ultrapassou e ultrapassará ainda várias gerações.

Desculpem a rudeza de minhas palavras, mas, se esses projetos forem liberados, penso que devia também ser liberado área para construção do pretendido novo presídio e, o que sobrar, faça-se um leilão para que as construtoras ergam belos edifícios, construindo uma parede em nossa orla.

Durante toda minha vida, sempre procurei exercitar a cidadania, tendo consciência de que tentei, inclusive representando perante os Ministérios Públicos Estadual e Federal, quando vi situações que entendi serem injustas, e, mesmo as vezes em que não houve resposta ou sucesso, na certeza de cumprir o meu papel.

Mais uma vez venho a público reclamar e, se der resultado positivo: ótimo. Se não der, seguirei com a mente liberta pela certeza de que fiz minha parte. Desejo que os “Guardiões da Cidadania” despertem e guardem a lei. Se não guardarem, a quem recorrer?

Salve Ilhéus, a “Terra do Sem Fim”!

MP/BA defende legalidade de nova sede na Av. Soares Lopes, mas obra gera controvérsia


Placa na Av. Soares Lopes informa que o local será construído a nova sede do MP/ Bahia. Foto Jamesson Araújo.

Em resposta às críticas sobre a construção de sua nova sede na Avenida Soares Lopes, o Ministério Público da Bahia (MPBA) afirmou, em nota, que o projeto segue todos os trâmites legais. O órgão ressaltou que o terreno é de propriedade da União e que a demarcação foi autorizada pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU) em 20 de março, após processo administrativo iniciado em 2024.

De acordo com o MPBA, a obra atenderá a todas as exigências ambientais e urbanísticas, com o objetivo de modernizar a estrutura da Promotoria Regional, melhorando o atendimento à população e as condições de trabalho dos servidores.

Entretanto, o Blog Agravo apurou que a construção não teve autorização prévia dos Poderes Executivo e Legislativo municipais – caso o terreno realmente esteja sob jurisdição do SPU. A situação gerou dúvidas sobre a competência sobre a área: se é de responsabilidade da União ou do município.

Há ainda informações de que outro prédio pode ser construído na mesma avenida, possivelmente para abrigar uma nova superintendência da Polícia Federal, embora não necessariamente no mesmo local da obra do MPBA.

O assunto deve ser discutido no plenário da Câmara de Vereadores nesta quarta-feira, com parlamentares prometendo questionar a legalidade do projeto e a destinação do espaço público.

Obra polêmica em Ilhéus: O povo diz NÃO, o poder diz ‘TÁ CONSTRUÍDO!’


*Artigo de Jamesson Araújo

Foto de Jamesson Araújo/ Blog Agravo.

Ah, a Avenida Soares Lopes! Um cartão-postal tão desejado, tão debatido, tão… abandonado. Enquanto a população sonha com calçadões, paisagismo e lazer à beira-mar, o que ela ganha? Um belo e imponente prédio do Ministério Público, é claro! Porque nada diz “revitalização” como concreto sobre área verde, não é mesmo?

Mas, calma, a decisão foi democrática! (Desde que você ignore que toda a população deixou de ser ouvida e participar do debate). A Prefeitura, a Câmara e o próprio MP estão em silêncio — o que, convenhamos, é no mínimo vexatório. Afinal, para que diálogo com a sociedade se você pode simplesmente impor sua vontade com acordos entre os todo-poderosos.

E que bela contradição: a mesma restinga que impede o Executivo de fazer qualquer intervenção na área deixa magicamente de ser problema quando o MP/BA resolve erguer sua nova sede. Cavalos pastando? Matagal? Tudo perfeito, desde que ninguém ouse propor um parque ou um espaço de lazer. Mas um prédio gigante? Ah, esse não afeta o ecossistema.

E não podemos esquecer o clássico do poder público ilheense: prédios abandonados aos montes, mas a solução é sempre ocupar espaços que deveriam ser dos cidadãos. Porque, convenhamos, quem precisa de área de lazer quando se pode ter mais burocracia em um local privilegiado?

Assim segue Ilhéus, eternamente sabotando seu próprio potencial turístico. Os poderes se revezam no papel de vilão, e a população assiste, de mãos atadas, enquanto mais um pedaço da cidade vira vítima do “eu mando, eu faço”.

Revitalização? Aqui o que avança é o patrimônio do Estado… e o retrocesso da cidade.

Confira o vídeo feito pelo Blog Agravo e participe da nossa ENQUETE:

*Jamesson Araújo é jornalista do Blog Agravo e integrante do Podcast Super Blogs.