Obra polêmica em Ilhéus: O povo diz NÃO, o poder diz ‘TÁ CONSTRUÍDO!’


*Artigo de Jamesson Araújo

Foto de Jamesson Araújo/ Blog Agravo.

Ah, a Avenida Soares Lopes! Um cartão-postal tão desejado, tão debatido, tão… abandonado. Enquanto a população sonha com calçadões, paisagismo e lazer à beira-mar, o que ela ganha? Um belo e imponente prédio do Ministério Público, é claro! Porque nada diz “revitalização” como concreto sobre área verde, não é mesmo?

Mas, calma, a decisão foi democrática! (Desde que você ignore que toda a população deixou de ser ouvida e participar do debate). A Prefeitura, a Câmara e o próprio MP estão em silêncio — o que, convenhamos, é no mínimo vexatório. Afinal, para que diálogo com a sociedade se você pode simplesmente impor sua vontade com acordos entre os todo-poderosos.

E que bela contradição: a mesma restinga que impede o Executivo de fazer qualquer intervenção na área deixa magicamente de ser problema quando o MP/BA resolve erguer sua nova sede. Cavalos pastando? Matagal? Tudo perfeito, desde que ninguém ouse propor um parque ou um espaço de lazer. Mas um prédio gigante? Ah, esse não afeta o ecossistema.

E não podemos esquecer o clássico do poder público ilheense: prédios abandonados aos montes, mas a solução é sempre ocupar espaços que deveriam ser dos cidadãos. Porque, convenhamos, quem precisa de área de lazer quando se pode ter mais burocracia em um local privilegiado?

Assim segue Ilhéus, eternamente sabotando seu próprio potencial turístico. Os poderes se revezam no papel de vilão, e a população assiste, de mãos atadas, enquanto mais um pedaço da cidade vira vítima do “eu mando, eu faço”.

Revitalização? Aqui o que avança é o patrimônio do Estado… e o retrocesso da cidade.

Confira o vídeo feito pelo Blog Agravo e participe da nossa ENQUETE:

*Jamesson Araújo é jornalista do Blog Agravo e integrante do Podcast Super Blogs.